Deolane Bezerra divulga carta escrita da cadeia

Influenciadora negou envolvimento com organização criminosa e contestou valores apontados pela investigação.

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra divulgou, nesta terça-feira (26), uma carta escrita de dentro da prisão. No documento, ela nega envolvimento com o crime organizado, contesta as acusações da investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e diz ser alvo de perseguição há mais de cinco anos.

A mensagem foi publicada no Instagram por Dayanne Bezerra, irmã de Deolane. No texto, ditado pela influenciadora, ela sustenta que nunca integrou organização criminosa e declara que a prisão ocorreu por conta de honorários advocatícios recebidos no valor de R$ 24,5 mil.

“Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500 (valor de honorários que recebi na época como advogada). Valor depositado em minha conta em espécie, e não pela transportadora mencionada no inquérito”, escreveu Deolane.

Na carta, Deolane também relata que foi presa sem ter prestado depoimento anteriormente sobre o caso. “Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de 4 anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos”, declarou.

A influenciadora ainda negou possuir 37 empresas em seu nome e rejeitou qualquer ligação com a facção criminosa investigada. “Não sou e nunca fui bandida! Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor”, diz outro trecho da carta.

Veja a carta:

Saiba mais sobre a prisão de Deolane

Deolane está presa preventivamente desde a última quinta-feira (21), após operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão contra investigados por suposto esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

Entre os alvos da operação estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado pelas autoridades como líder da facção, além do irmão dele, Alejandro Camacho, e dos sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Segundo as investigações, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, teria sido usada para movimentar recursos atribuídos ao grupo criminoso. A apuração começou após a apreensão de bilhetes e manuscritos atribuídos à facção dentro de um presídio da cidade há sete anos.

De acordo com o inquérito, Deolane recebeu depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021. Os investigadores identificaram dezenas de transferências fracionadas para contas da influenciadora, incluindo repasses que chegaram perto de R$ 700 mil. Parte do dinheiro teria sido enviada por um homem da Bahia suspeito de atuar como “laranja” no esquema.

A Polícia Civil também aponta que a empresa investigada não atuava apenas como transportadora, mas teria sido criada para operar o “branqueamento de recursos ilícitos”. No inquérito, Deolane aparece como beneficiária de valores oriundos da empresa. Para os investigadores, ela exerceria papel de “caixa do crime organizado”.

A defesa de Deolane nega as acusações e considera a operação desproporcional. Os advogados alegam que a influenciadora exerceu atividade profissional como advogada e que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.

No domingo (24), o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido liminar de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane. Antes disso, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, também rejeitou um pedido de prisão domiciliar por não identificar “manifesta ilegalidade” na decisão que determinou a prisão preventiva.

Deolane segue detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, enquanto a defesa aguarda o julgamento do mérito do habeas corpus e avalia recorrer ao Superior Tribunal de Justiça.

Confira mais notícias sobre Deolane e outros famosos nas redes sociais do jornalista Daniel Neblina.

Daniel Neblina
Daniel Neblina

Jornalista, trabalho com entretenimento há quase 10 anos, com passagens pela Câmara dos Deputados e Observatório da TV. Além disso, por mais de dois anos fui repórter de Leo Dias.