Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque, cumpre pena há 27 anos e tem previsão de deixar a prisão em 2028, quando completará 30 anos de encarceramento, limite máximo estipulado pela legislação vigente à época de sua condenação. Sentenciado a mais de 280 anos de prisão pelo assassinato de nove mulheres e por crimes como estupro, ocultação de cadáver e atentado violento ao pudor, ele permanece atualmente na cela 59 do Pavilhão 3 da Penitenciária de Iaras, no interior de São Paulo, onde divide o espaço com outros seis condenados por estupro.

Em uma entrevista inédita concedida em 2024 à psicóloga forense luso-brasileira Simone Lopes Bravo, o Maníaco do Parque afirmou: “Sou um novo homem. Aquele Francisco não existe mais”. Ele declarou ainda que pretende mudar de nome ao deixar a penitenciária. Como sairá da cela diretamente para a rua, sem progressão de regime, não passará por exame criminológico, já que o procedimento não é exigido para casos como o seu.
Durante a conversa, Francisco deu detalhes dos crimes, confirmou que voltava aos locais para se masturbar diante dos corpos e relatou: “Ficava com muitos pensamentos. Não conseguia parar de pensar. Aqueles pensamentos me excitavam”. Ele explicou que escolhia as vítimas no Parque Ibirapuera e as atraía com falsas ofertas de trabalho como modelo. Pelo menos nove mulheres foram mortas com sinais de violência sexual. Outras, segundo ele, foram poupadas. “Mesmo dentro da mata, resolvia não fazer nada com algumas delas. Aí eu as levava de volta até o ponto de ônibus e falava para ela ter cuidado”, afirmou. Em seguida, completou: “Nem um beijo”.
Francisco disse que seus impulsos começaram na infância, após contato precoce com revistas pornográficas no ambiente de trabalho do avô. Na adolescência, relatou diversas relações sexuais enquanto patinava em São José do Rio Preto. “Meus pensamentos eram mais fortes que eu. Não conseguia controlar”. Questionado sobre por que não matava homens, respondeu: “Porque eu me sentia atraído por mulheres, pelo corpo das mulheres”.
Ele afirmou ter se convertido em 24 de abril de 1999, quando foi batizado por evangélicos na Penitenciária de Itaí. Desde então, declarou não ter tido novos pensamentos violentos: “Nunca mais voltaram”. Disse que mantém rotina diária de oração: “Até quando vou caminhar, estou meditando na palavra”. Apesar da religiosidade, afirmou que não pediria desculpas às famílias das vítimas. “Deus já me perdoou”. Questionado se conversaria com parentes, disse estar disposto e resumiu sua mensagem: “A conversão é o único caminho”.
Simone Lopes Bravo relatou que iniciou contato por correspondência, enviando cartas a mais de dez criminosos. Francisco foi o único que respondeu. Morando em Portugal, ela contratou uma advogada no Brasil, Caroline Landim, para auxiliá-la e conseguiu ser incluída como “amiga” na lista de visitas, após a mãe do detento, Maria Helena Pereira, retirar voluntariamente seu nome — decisão tomada, segundo relato, após receber pagamento da psicóloga por estar precisando de dinheiro.
Desses encontros nasceu o livro “Maníaco do Parque, a loucura lúcida”, publicado pela Editora Bretas. Em 2024, Francisco foi fotografado para recadastro interno e apareceu com cerca de 120 quilos, segundo um médico da unidade. Ele perdeu todos os dentes devido a amelogênese imperfeita, condição genética que compromete o esmalte dental.
Em outro trecho da entrevista, Francisco respondeu a perguntas diretas da psicóloga:
Quem é o Francisco hoje?
“Transformado de dentro para fora.”
No passado, quem era você?
“Um homem com muito medo dos próprios pensamentos.”
Se tivesse filhos, que mensagem deixaria?
“Seguir o caminho da palavra. Não é religião, seguir a palavra do Deus de Abraão.”
Enquanto Simone conduzia o projeto literário, a advogada Caroline Landim passou a acompanhar necessidades básicas do detento. Em nota divulgada nesta semana, ela afirmou que não fará pedidos de soltura em 2028. “Sempre afirmei com clareza que em todo este tempo de reclusão houve uma falha gigantesca do Estado em não oferecer tratamento e respaldo necessário para a saúde física e mental de Francisco. E por isso não sabemos ao certo qual é sua real situação hoje”, escreveu.
Landim destacou que sua atuação se limita ao projeto da escritora e que o contrato não se estende até 2028: “Não fiz pedidos de benefícios em favor de Francisco, pois é incabível em razão de sua alta pena”. Ela acrescentou: “Não fiz e não farei qualquer juízo de valor referente a Francisco. Eu não sou contra a ressocialização de um reeducando independente de seu crime”.
A advogada relembrou que o Maníaco do Parque foi diagnosticado na época dos crimes com transtorno de personalidade antissocial, condição sem cura. “Ele não recebeu nenhum acompanhamento psicológico, médico, odontológico ou jurídico, então não sabemos qual é a real situação dele hoje”, afirmou. Ela explicou que Francisco passou mais de dez anos sem visitas ou assistência legal e que chegou a arrancar os próprios dentes com linha de costura para aliviar dores, por falta de atendimento adequado.
O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou que Francisco de Assis Pereira, hoje com 57 anos, permanece preso e tem previsão de término da pena para agosto de 2028.
Confira mais notícias sobre Maníaco do Parque e outros famosos nas redes sociais do jornalista Daniel Neblina.