Regina Casé comentou a fama de antipática que a acompanha nas redes sociais e negou os rumores de que trate o público de forma diferente fora das câmeras. Em entrevista ao programa “Sem Censura”, exibido na segunda-feira (29), a atriz e apresentadora contou que a personagem Dona Lurdes, da novela “Amor de Mãe”, ajudou a mudar a percepção do público sobre ela. Na conversa, ela também relembrou os ataques que recebeu durante o período em que apresentou o “Esquenta!”.
Assista:
Regina Casé revelou que Dona Lurdes, de #AmorDeMãe, ajudou a “limpar sua barra” após ataques nas redes. pic.twitter.com/I0CQEwpFZq
— Hugo Gloss (@HugoGloss) June 30, 2026
A artista disse que se surpreende ao ler comentários de pessoas que dizem que ela seria esnobe ou não daria atenção aos fãs. Como exemplo, citou a fisioterapeuta, que a acompanha há anos e costuma se entristecer com esse tipo de publicação.
“Aí, tadinha, ela entra na internet e falam: ‘Regina é uma coisa na frente das câmeras, fora é outra, não fala com ninguém, não tira fotos’. Ela fala: ‘Regina, mas é mentira. Eu ando com você há 18 anos, todo dia, de manhã e você tira foto com todo mundo'”, contou.
Segundo Regina Casé, a interpretação de Dona Lurdes, protagonista de “Amor de Mãe” entre 2019 e 2020, contribuiu para amenizar essa imagem negativa e diminuir os ataques virtuais.
“Hoje em dia, é mais suave. Quando você está na dramaturgia, não é você que está ali. Eu digo que a dona Lurdes me ajudou muito. Na hora em que eu não aguentava mais, dona Lurdes veio para limpar minha barra um pouco e eu dar uma respirada”, declarou.
Regina Casé relembra ataques após o “Esquenta!”
Ao responder a uma pergunta do comentarista Murilo Ribeiro sobre a rejeição ao “Esquenta!”, Regina Casé disse que o programa enfrentou resistência por dar protagonismo a pessoas negras, periféricas e LGBTQIA+ na televisão aberta. Na avaliação da apresentadora, o avanço de uma onda conservadora contribuiu para intensificar as críticas direcionadas à atração.
“Não acho que foi uma implicância, foi uma latência de um tsunami conservador que veio e se manifestou claramente logo em seguida. Como ele ainda não era expresso e todo mundo não via, dava até a impressão de que era só comigo. Se você leva um casal gay muito bonitinho, loirinho, em um programa de noite é mais palatável. Eu levei, por exemplo, um casal de cortadoras de cana do sertão, duas mulheres casadas, que lutavam muito pela vida de outro jeito, o aspecto delas, tudo aquilo causava rejeição”, disse.
Regina Casé também explicou que o preconceito dirigido aos participantes do programa acabava sendo concentrado nela.
“Ninguém sabe o nome daquelas pessoas. Todo o preconceito e ódio, você tem que botar em uma direção. Então, eu virei um ralo para isso. Foi muito duro um período, eu admito. Era muito violento”, relatou.
A apresentadora acrescentou que os ataques não começaram apenas com o “Esquenta!”. Ela lembrou que atrações anteriores, como “Central da Periferia” (2006-2007) e “Programa Legal” (1991-1992), também despertaram reações semelhantes.
“Todos os trabalhos que eu fiz geravam muito, nesse tipo de grupo, ódio e preconceito. Um pessoal que quer na televisão aquela celebridade glamourizada. Eram só anônimos e pessoas da periferia. O auge realmente foi no ‘Esquenta!'”, comentou.
Como era o “Esquenta!”
Exibido pela TV Globo entre 2011 e 2017, o “Esquenta!” levava à televisão aberta manifestações da cultura popular brasileira, com destaque para samba, pagode, funk e outros ritmos. O programa reunia artistas consagrados e personagens anônimos, como garis, trabalhadores rurais, rappers e casais LGBT.
Confira mais notícias sobre Regina Casé e outros famosos nas redes sociais do jornalista Daniel Neblina.




