O sucesso da reprise de A Viagem no Vale a Pena Ver de Novo recentemente reacendeu o interesse do público por personagens marcantes da trama de Ivani Ribeiro, exibida originalmente pela Globo em 1994. Entre eles está Dudu, filho caçula de Otávio Jordão, vivido por Antônio Fagundes, e irmão de Junior, interpretado por Felipe Martins. O personagem foi vivido por Daniel Ávila, que permanece na carreira artística mais de três décadas após a estreia de A Viagem.
Na época de A Viagem, Daniel tinha 9 anos e conquistou o público com o papel. O carinho dos fãs permanece até hoje. Admiradores da novela criaram fã-clubes e, segundo o ator, o reconhecimento continua nas ruas e nas redes sociais. “Dudu sempre é chamado na rua. Volta e meia tem uma galera comentando sobre o personagem e muitos fã-clubes na internet. As pessoas do universo espírita têm muito saudosismo da novela e no Instagram me procuram direto. Dudu é bem famosinho”, afirmou.

Após A Viagem, Daniel consolidou sua trajetória nas artes. Formado em Cinema, fez pós-graduação em Formação em Construção Dramática Latino-Americana na Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV), em Cuba. Atua como diretor, professor de teatro e dublador. Desde os 20 anos, integra o grupo Tá na Rua, fundado por Amir Haddad, que realiza apresentações ao ar livre em espaços públicos.
Na dublagem, emprestou a voz ao personagem Ramsay na série Game of Thrones e a Peter Pan, da Disney. Sobre o ofício, destacou: “Sempre gostei de me comunicar com o público. Gosto de estar de frente com a população na praça, no teatro e na casa delas, pela TV. Tenho um interesse muito grande em ser um ator popular. A dublagem é outra grande paixão, que tenho feito muito. Por meio dela, tenho contato com atores e produções do mundo inteiro”.
A experiência em A Viagem também deixou aprendizados marcantes. Daniel relembrou a convivência com atores como Cláudio Cavalcanti e Antonio Fagundes. “Convivi com atores muito influentes, professores da antiga. Cláudio Cavalcanti, por exemplo, me ensinava desde tirar a meia do calçado, a não perder o figurino, até perguntava como eu estava chorando em cena. São coisas muito delicadas. Cláudio deu toques sobre a humildade.” Sobre Fagundes, declarou: “O Fagundão me impressionou muito e eu era chato, perguntava muito. Era uma criança enjoada. Ele vivia lendo um livro. Ele lia 40 páginas em uma hora, tinha uma leitura dinâmica e conversava sobre isso comigo. Fagundes diz que ator tinha que ter vocabulário, velocidade, contato com as letras, saber falar bem. Na televisão, ele lia o texto duas vezes e decorava tudo. Achava incrível!”.

Depois de A Viagem, o ator participou de produções como A História de Ana Raio e Zé Trovão, na extinta TV Manchete, e integrou o elenco de Você Decide. Ao longo dos anos, esteve em novelas como Malhação, Corpo Dourado, Agora É que São Elas, Era Uma Vez, Floribella e O Profeta. Seu trabalho mais recente em novelas ocorreu em Amigas e Rivais, exibida pelo SBT em 2008. Também atuou em séries e minisséries na Globo e na Record.
Apesar da distância dos folhetins, Daniel reconhece o sentimento de nostalgia. “Saudade eu sinto sempre. Quanto mais trabalho a gente tem, mais coisas lindas vão acontecendo. Tem vários projetos aí enrolando que são muito interessantes, que às vezes dá vontade de estar junto, mas também entendo que segui o meu caminho e acabei indo muito forte para outro lugar. Tanto que eu não conheço mais os meios da televisão. Continuo atuando, como artista, fazendo teatro, filme… Se pintar, pintou”, declarou.

Na vida pessoal, é pai de Flor, de 15 anos, e mantém relacionamento com a atriz Priscila Trindade. Sobre a rotina familiar e o incentivo à arte em casa, contou: “Eu tô casado há três anos, não nos meios de igreja, mas moramos juntos. Começamos a nos relacionar há cinco anos, durante a pandemia. Eu achei que ela não era artista, porque trabalhava com política, mas atualmente tá fazendo parte de uma companhia de quadrilha. Ela tá desenvolvendo a atriz dela. É muito engraçado ter uma atriz em casa do nada. Já a Flor também dificilmente vai ser outra coisa, né? Ela é artista pra caramba. Eu vi que ela se interessou por dublagem, começou a se dedicar no canto também”.
Nas horas de descanso, Daniel costuma ir ao sítio dos pais, em Carrancas, no interior de Minas Gerais. “Fiquei lá com eles na pandemia, o trabalho remoto me proporcionou isso através do computador. Gosto de ir para lá, montar uma barraca e relaxar”, relatou.
Três décadas após A Viagem, Daniel Ávila mantém atuação ativa no teatro, no audiovisual e na dublagem, enquanto o personagem Dudu segue vivo na memória do público que acompanhou a novela.