O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou piora da função renal e elevação dos marcadores inflamatórios, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star na tarde deste sábado (14). Bolsonaro permanece internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da unidade, em Brasília, sem previsão de alta.
“Encontra-se estável clinicamente, porém apresentou piora da função renal e elevação dos marcadores inflamatórios. Mantém o tratamento com antibióticos e hidratação por via endovenosa, fisioterapia respiratória e motora, além das medidas de prevenção de trombose venosa. Não há previsão de alta da UTI neste momento”, diz o boletim, assinado pelos médicos Claudio Birolini, Leandro Echenique, Brasil Caiado, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Jr. e Allisson B. Barcelos Borges.
O diagnóstico é de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. Bolsonaro teve um mal-estar súbito na madrugada de sexta-feira (13), em sua cela na Papudinha — sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília —, e precisou ser atendido pela equipe médica de plantão, que determinou a transferência imediata para o hospital. Segundo a Polícia Militar do DF, o episódio de broncoaspiração ocorreu por volta das 2h, mas o atendimento só foi prestado às 7h da manhã. O ex-presidente chegou à unidade de saúde com suporte de oxigênio nasal e foi submetido a tomografia e exames laboratoriais, que confirmaram o diagnóstico.

Na tarde de sexta, o médico Claudio Birolini classificou o quadro de saúde de Bolsonaro como “extremamente grave”, apesar da estabilidade apresentada. Birolini afirmou que o risco de pneumonia aspirativa — causada pelos refluxos que Bolsonaro enfrenta desde a facada que sofreu durante a campanha presidencial de 2018 — havia sido informado em relatórios enviados ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. A equipe médica também informou que o ex-presidente permaneceria internado por, no mínimo, sete dias. O primeiro boletim divulgado na sexta apontou febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios como sintomas iniciais.
Já na noite de sexta, o cardiologista Leandro Echenique informou que Bolsonaro se encontrava consciente e não precisou ser entubado. “Agora ele está consciente, está conseguindo falar melhor. O desconforto respiratório foi amenizado. Então, nessas primeiras oito horas de tratamento ele estabilizou. Está melhor, mas longe de estar em um quadro controlado”, declarou o médico.
Mais cedo neste sábado, a deputada Bia Kicis (PL-DF) havia dito, em redes sociais, que Bolsonaro apresentou melhora nas últimas horas, mas que seu estado ainda inspirava cuidados. A parlamentar fez a declaração após se encontrar com a equipe médica no Hospital DF Star. “Presidente está melhor mas seu quadro inspira cuidados. Ele broncoaspirou as 2:00 h da madrugada e só recebeu atendimento às 7:00 h da manhã. Ele está com infecção e precisa de tempo para seu organismo se recuperar. Ele precisa ir para casa ou o pior pode acontecer e o culpado será Alexandre de Moraes”, escreveu Kicis no X (ex-Twitter).
Prisão de Bolsonaro
Bolsonaro está preso desde janeiro na Papudinha, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Esta não é a primeira vez que o ex-presidente passa mal desde que está detido. Em setembro do ano passado, quando ainda cumpria prisão domiciliar, ele precisou de atendimento médico após apresentar vômitos, tontura e queda da pressão arterial.
Em janeiro deste ano, enquanto estava detido na Superintendência da Polícia Federal, o ex-presidente foi internado após bater a cabeça em um móvel da cela. No mesmo mês, foi transferido para a Papudinha a pedido de seus advogados — unidade que conta com fisioterapia, médicos 24 horas, barra de apoio na cama e cozinha. Mesmo após a transferência, a defesa apresentou uma série de pedidos pela prisão domiciliar, alegando fragilidade na saúde do ex-presidente, mas todos foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes.
Confira mais notícias sobre Bolsonaro e outros famosos nas redes sociais do jornalista Daniel Neblina.