A atriz Carolina Dieckmmann prestou uma homenagem a Manoel Carlos nas redes sociais após a morte do autor no sábado (10) e compartilhou com o público um bilhete inédito que recebeu dele no início de um dos trabalhos mais marcantes de sua carreira. A mensagem foi escrita quando o novelista a convidou para interpretar Camila em Laços de Família, novela exibida originalmente em 2000 e considerada uma das obras mais memoráveis de Maneco.
Na publicação, Carolina Dieckmmann relembrou a importância do autor em sua trajetória profissional e destacou o impacto do convite para viver a filha de Helena, personagem interpretada por Vera Fischer. No bilhete mostrado pela atriz, Manoel Carlos explicou de forma direta o motivo de sua escolha. “A personagem Camila não está sendo oferecida a você apenas. A personagem foi escrita exclusivamente para você, o que é bastante diferente”, escreveu o autor no recado.

O papel de Camila se tornou um divisor de águas na carreira de Carolina Dieckmmann, consolidando seu nome na teledramaturgia brasileira. Ao relembrar o momento, a atriz publicou fotos antigas e o bilhete original, além de escrever um longo texto de agradecimento ao autor, destacando o impacto pessoal e profissional da parceria entre os dois.
“Eu queria saber o que dizer; traduzir o que você significa na minha vida, ser justa e grata, do tamanho imenso que eu sinto… mas a verdade é que eu tô certa de que, nada q eu disser agora, alcança”, escreveu Carolina Dieckmmann. Em seguida, a atriz afirmou que a mensagem recebida de Manoel Carlos foi determinante para sua formação artística. “Você, com seu bilhete, me deu um caminho, que eu sigo até hoje, e que eu chamo de profissão”, declarou.

Na sequência do texto, Carolina Dieckmmann ressaltou que o autor permanece presente em sua carreira e em suas escolhas profissionais. “Você está em tudo que eu faço, como benção e inspiração”, escreveu a atriz, reforçando o vínculo construído ao longo dos anos e a influência do novelista em sua trajetória.
A atriz também destacou a dimensão do legado de Manoel Carlos e a importância de suas histórias e personagens para a televisão brasileira. “Você, segue em mim, como em tantos, que tiveram a sorte que eu tive, de falar as palavras que você escrevia; suas histórias e personagens continuarão aqui”, afirmou.
Em tom emocionado, Carolina Dieckmmann encerrou a homenagem lembrando da relação pessoal que construiu com o autor e da dificuldade de expressar em palavras tudo o que sentia. “Maneco, eu sei que você sabe, que em cada olhar que trocamos, meu coração te disse, tudo o que eu sinto, desse tamanho todo, que as palavras não dão conta de expressar; de qualquer forma, todas as vezes que eu lembrar de você, eu estarei te dizendo – ainda que em silêncio – OBRIGADA! Com amor, Carol”, escreveu.
Morte de Manoel Carlos
O autor Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada. O escritor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson. No último ano, a enfermidade afetou de forma significativa o desenvolvimento motor e cognitivo do autor, conhecido no meio artístico como Maneco.
Com uma trajetória extensa na televisão brasileira, Manoel Carlos iniciou sua carreira na TV Globo em 1972, quando assumiu a função de diretor-geral do programa Fantástico. Antes disso, passou por diversas emissoras do país, atuando como autor, produtor e ator. A carreira artística começou ainda na adolescência, aos 17 anos, nos palcos. Ao longo dos anos, também trabalhou como escritor e diretor. Suas novelas ficaram marcadas pelo Rio de Janeiro como cenário recorrente — muitas vezes tratado como personagem — e pela abordagem aprofundada de conflitos familiares, elemento central de sua obra.
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