O ex-presidente Jair Bolsonaro foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (13/3), com diagnóstico confirmado de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. A internação foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de relatório médico.
Bolsonaro passou mal na cela em que cumpre pena na Papudinha — como é conhecido o setor de sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da PM, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. O ex-presidente apresentou febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese, calafrios e episódios de vômito durante a madrugada. A equipe médica de plantão optou pela transferência ao hospital para investigação do quadro. Em nota, a Polícia Militar do DF confirmou que ele deixou a unidade prisional para “atendimento médico”, sem detalhar o estado de saúde no momento da remoção.
No DF Star, Bolsonaro foi submetido a exames de imagem e laboratoriais, que confirmaram o diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa recidivada. Segundo o boletim médico assinado pelo cardiologista Brasil Caiado e pelo diretor-geral do hospital, Allisson Borges, foi iniciado “tratamento clínico com antibioticoterapia de amplo espectro”. O ex-presidente recebe medicação intravenosa e suporte clínico não invasivo. “No momento, encontra-se internado em unidade de terapia intensiva, em tratamento com antibioticoterapia venosa e suporte clínico não invasivo”, diz o boletim publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O relatório enviado ao STF detalha: “O paciente Jair Messias Bolsonaro, data de nascimento 21/03/1955, deu entrada nesta unidade com quadro suspeito de broncopneumonia aguda de provável origem aspirativa (recidivada). No momento iniciado tratamento clínico com antibioticoterapia de amplo aspecto e estando em unidade de terapia intensiva para monitorização clínica. Deverá permanecer internado nesta unidade para tratamento clínico e reavaliação periódicas.” A previsão é de que Bolsonaro fique entre 10 e 14 dias internado — prazo considerado padrão para tratamentos desse tipo. Apesar da gravidade do diagnóstico, ele é descrito como estável.
O ministro Alexandre de Moraes autorizou que Michelle Bolsonaro permaneça no hospital como acompanhante durante o período de internação. A decisão também permite visitas dos filhos: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o vereador Carlos Bolsonaro, além da filha e da enteada do ex-presidente. Mais cedo, Flávio Bolsonaro havia informado nas redes sociais que o pai foi levado ao hospital após passar mal durante a madrugada.
Prisão de Jair Bolsonaro
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Papudinha desde 15 de janeiro. Desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, ele enfrenta recorrentes problemas de saúde ligados ao sistema digestivo e passou por diversas cirurgias e internações para tratar complicações decorrentes do episódio. Na unidade prisional, o ex-presidente conta com apoio de equipe médica própria, com múltiplos atendimentos diários e sessões de fisioterapia.
Em 5 de março, a Primeira Turma do STF negou, por unanimidade, pedido da defesa para transferir Bolsonaro para prisão domiciliar. A defesa havia alegado “existência de risco de vida e a incompatibilidade entre o ambiente carcerário e o rigor das terapias contínuas exigidas” pelo ex-presidente. O colegiado afastou as afirmações. Em seu voto, Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que “as condições e adaptações específicas da unidade prisional atendem, integralmente, as necessidades do condenado, com a possibilidade e efetiva realização de serviços médicos contínuos, com múltiplos atendimentos diários, realização de sessões de fisioterapia”.
Confira mais notícias sobre Bolsonaro e outros famosos nas redes sociais do jornalista Daniel Neblina.