A série documental Meu Nome é Preta, lançada em 20 de julho no Globoplay, resgata momentos marcantes da trajetória de Preta Gil e apresenta depoimentos de familiares e amigos. Entre eles está a amiga de infância da cantora, que relembra episódios vividos ao lado da artista durante a adolescência e integra a homenagem produzida pela Globo. Ao longo da produção, Amora Mautner também compartilha lembranças da amizade que atravessou décadas.

Filha do cantor, compositor e escritor Jorge Mautner, Amora Mautner construiu uma das carreiras mais consolidadas da direção de televisão no Brasil. Ela iniciou a trajetória artística como atriz em Vamp (1991), mas logo passou para os bastidores. Atuou como assistente de direção em produções como O Cravo e a Rosa, Celebridade, Mad Maria e Paraíso Tropical. A estreia como diretora-geral ocorreu em Cama de Gato (2009), seguida por Cordel Encantado (2011). O reconhecimento nacional chegou com Avenida Brasil (2012), sucesso da dramaturgia brasileira. Depois, comandou Joia Rara (2013), A Regra do Jogo (2015), a supersérie Assédio (2018), A Dona do Pedaço (2019), Verdades Secretas II (2021) e a nova versão de Elas por Elas (2023), consolidando Amora Mautner como uma das principais diretoras da TV Globo.
Além da carreira na televisão, Amora Mautner é filha de Jorge Mautner e teve relacionamentos com figuras públicas. Ela foi casada com o ator Marcos Palmeira, com quem teve a filha Júlia. Posteriormente, casou-se com o empresário Arnon Affonso de Mello, filho do ex-presidente Fernando Collor.
Beijo na escola marcou amizade
Um dos relatos mais marcantes do primeiro episódio mostra um episódio da adolescência de Preta Gil e Amora Mautner, quando ambas estudavam no Colégio Andrews, no Rio de Janeiro. Segundo a diretora, tudo aconteceu após uma professora declarar em sala de aula que a homossexualidade era uma doença.

De acordo com Amora Mautner, Preta respondeu à professora: “O meu pai namora o pai da Amora, a minha mãe namora a mãe da Amora, e a gente namora.” Em seguida, a cantora pediu um beijo diante dos colegas. As duas trocaram um beijo de língua e acabaram expulsas da escola por serem consideradas “muito avançadas” para a instituição.
O documentário também resgata a rotina da adolescência das amigas. Em uma entrevista de arquivo, Preta Gil relembra: “Eu gostava de ir para ‘night’. Eu era baladeira. Com 15 anos eu estava na Pizzaria Guanabara com o Cazuza, com a minha galera. Era roda na casa do Djavan, do tio Caetano.”
No depoimento, Amora Mautner conta que as duas frequentavam o Canecão, o Baixo Leblon e o Colégio Andrews, nesta ordem de prioridade. Ela recorda que, após os primeiros dias das temporadas de shows, passavam mais tempo nos camarins recebendo amigos e paixões da cantora do que assistindo às apresentações, o que fazia com que chegassem atrasadas às aulas e enfrentassem problemas com a direção da escola.
Em um dos momentos mais emocionantes da série, Amora Mautner resume a importância da amizade com Preta Gil: “A Preta não cabe numa lembrança, ela é a minha própria vida. Eu não sei ser sem a Preta. Eu só sou quem eu sou por causa da Preta.”
Série homenageia trajetória de Preta Gil
Produzida pela Conspiração, Meu Nome é Preta tem quatro episódios lançados semanalmente no Globoplay. Além de Amora Mautner, a produção reúne depoimentos inéditos de Gilberto Gil, Flora Gil, Caetano Veloso e outros familiares e amigos próximos, que ajudam a reconstruir diferentes fases da vida da artista, desde a infância até a consolidação como cantora, empresária e defensora da diversidade e da liberdade de expressão.
O quarto e último episódio chega ao catálogo em 8 de agosto, data em que Preta Gil completaria mais um aniversário. A série integra o projeto especial Quanto Mais Preta Melhor, criado pela Globo para celebrar a trajetória da artista um ano após sua morte. A homenagem também inclui o documentário Preta – Eu Não Ando Só, exibido pela TV Globo e posteriormente disponibilizado no Globoplay.
Preta Gil morreu em 20 de julho de 2025, em decorrência de complicações de um câncer colorretal. Diagnosticada em janeiro de 2023, ela passou por quimioterapia, radioterapia, cirurgia para retirada do tumor e reconstrução do trato intestinal, além de períodos de remissão e recidiva da doença. Nos meses finais, realizou tratamento oncológico nos Estados Unidos. Durante todo o processo, compartilhou publicamente sua experiência e incentivou a prevenção, o diagnóstico precoce e os exames de rastreamento do câncer colorretal.
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