Saiba por que todas as protagonistas de Manoel Carlos se chamavam Helena

Atriz Vera Fischer como Helena da novela Laços de Família, da Globo Atriz Vera Fischer como Helena da novela Laços de Família, da Globo
Vera Fischer como Helena de Laços de Família - Foto: Reprodução/ Globo

As protagonistas chamadas Helena marcaram a obra de Manoel Carlos e se tornaram uma das principais assinaturas do autor na teledramaturgia brasileira. Ao longo da carreira, o escritor criou nove personagens centrais com esse nome, presente em tramas que atravessaram décadas e consolidaram seu estilo narrativo. A escolha, no entanto, não teve relação com experiências pessoais ou homenagens familiares, como muitos imaginaram.

Autor de novelas da Globo, Manoel Carlos
Autor de novelas Manoel Carlos – Foto: Reprodução

Em depoimentos exibidos no programa Tributo a Manoel Carlos, disponível no Globoplay, o autor explicou que a decisão nasceu de sua admiração pela mitologia grega, especialmente pela figura de Helena de Tróia. Segundo Manoel Carlos, o nome lhe parecia mais apropriado para um personagem do que para uma pessoa real, além de carregar uma carga simbólica que sempre o atraiu.

Na mitologia, Helena de Tróia era considerada a mulher mais bela do mundo, filha de Zeus e da rainha Leda. Casada com Menelau, rei de Esparta, foi raptada por Páris, príncipe de Tróia, episódio que desencadeou a Guerra de Tróia, que durou dez anos. Após o conflito e a estratégia do cavalo de Tróia, Helena retornou a Esparta e voltou a viver com Menelau até a morte dele. Para Manoel Carlos, essa trajetória complexa, marcada por sequestro, paixão, separações e reconciliações, carregava uma “magia” que o fascinava e servia de base para suas protagonistas.

O autor também ressaltou que suas Helenas compartilhavam características recorrentes. Em geral, eram mulheres fortes, infelizes no amor e que escondiam segredos, muitas vezes mentiras, das pessoas mais próximas. Manoel Carlos afirmou que todas as suas Helenas mentiam, fosse por amor ou por outras razões, e citou exemplos ao longo de sua obra. Em Baila Comigo, a primeira Helena abriu essa sequência. Em Felicidade, a personagem ocultava a verdadeira identidade do pai da filha. Já em Por Amor, a protagonista enganava todos ao seu redor, enquanto outras versões do nome repetiam esse traço em contextos distintos.

Atrizes que interpretaram Helenas nas novelas de Manoel Carlos, na Globo
Atrizes que interpretaram Helenas nas novelas de Manoel Carlos – Foto: Globo

A presença constante da personagem fez com que o próprio autor reconhecesse que Helena se transformou em uma “grife” pessoal. “Fui dando esse nome, achei que era bom e ficou”, declarou em entrevistas exibidas ao longo dos anos. Ao todo, sete atrizes interpretaram as Helenas criadas por Manoel Carlos. Lilian Lemmertz foi a primeira, em Baila Comigo. Maitê Proença viveu a personagem em Felicidade. Regina Duarte interpretou três versões, em História de Amor, Por Amor e Páginas da Vida. Vera Fischer deu vida à Helena de Laços de Família. Christiane Torloni protagonizou Mulheres Apaixonadas. Taís Araújo tornou-se a primeira Helena negra do autor. Julia Lemmertz foi a última, em Em Família.

Apesar da associação constante com o nome, Manoel Carlos teve duas filhas, Júlia Almeida e Maria Carolina, nenhuma delas chamada Helena, reforçando que a escolha não teve origem familiar. O autor também costumava explicar que preferia escrever personagens femininas por considerar que as mulheres expressavam sentimentos, conflitos e contradições de forma mais aberta, o que ampliava as possibilidades dramáticas.

Morte de Manoel Carlos

O autor Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada. O escritor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson. No último ano, a enfermidade afetou de forma significativa o desenvolvimento motor e cognitivo do autor, conhecido no meio artístico como Maneco.

Com uma trajetória extensa na televisão brasileira, Manoel Carlos iniciou sua carreira na TV Globo em 1972, quando assumiu a função de diretor-geral do programa Fantástico. Antes disso, passou por diversas emissoras do país, atuando como autor, produtor e ator. A carreira artística começou ainda na adolescência, aos 17 anos, nos palcos. Ao longo dos anos, também trabalhou como escritor e diretor. Suas novelas ficaram marcadas pelo Rio de Janeiro como cenário recorrente — muitas vezes tratado como personagem — e pela abordagem aprofundada de conflitos familiares, elemento central de sua obra.

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